A mesa no segundo andar do amplo motorhome da Red Bull no paddock de Valência ainda tem um lugar vazio: o de Sebastian Vettel. Seis jornalistas, quatro brasileiros e dois espanhóis, aguardam pela oportunidade de falar com o jovem piloto. Para conseguir um horário em sua apertada agenda para uma conversa mais profunda tem de ser assim, em grupos, uma vez que a demanda é tão grande para entrevistas individuais.O alemão chega com dez minutos de atraso, depois de atender com paciência e simpatia a multidão de jornalistas do mundo todo que se acotovelava no andar de baixo do motorhome. Com desenvoltura, cumprimenta os presentes em português com um 'bom dia'. "Corri contra pilotos brasileiros nas categorias de base e tive também um companheiro de equipe brasileiro (n. R: Átila Abreu na F-BMW). Não sou fluente, mas sei algumas palavras, provavelmente aquelas que não convém usar em público", explica Vettel, antes de dar uma risada juvenil que vai se repetir dezenas de vezes ao longo da conversa.
Nesta sexta-feira, a Red Bull anunciou sua renovação de contrato até o final de 2011, com uma opção para o ano seguinte. Uma decisão natural para o piloto. "A Red Bull está me apoiando desde 1999, é uma parceria muito longa, eu era só um garotinho andando de kart. Agora estou na F-1, venci a primeira corrida tanto da Toro Rosso como da Red Bull. É algo fantástico, me sinto em casa aqui. Neste ano, a Red Bull se tornou uma das equipes mais fortes, então não há motivos para pensar em alguma mudança louca à esta altura", explicou.
O crescimento da sua equipe tirou qualquer pressa de Vettel em correr por times como Ferrari ou McLaren. Mas, a longo prazo, a possibilidade não é descartada. "Tenho 22 anos, quem sabe o que pode acontecer no futuro? Por exemplo, quando Fernando Alonso tinha 22, ele não esperava que a Renault fosse o time com o qual ele poderia ganhar dois títulos em seguida e nem que correria depois pela McLaren e, quem sabe, talvez com a Ferrari. Você nunca sabe o que pode acontecer. Estou feliz onde estou agora, meu carro pode vencer corridas. Não há porque mudar agora. Mas para o futuro, Ferrari e McLaren sempre foram competitivas nos últimos dez, vinte anos, e ganharam muitos títulos.
Às vezes pode surgir uma Benetton ou uma Renault, mas ao longo dos anos estas duas sempre estavam entre as equipes mais fortes. Um dia, a meta é estar numa dessas equipes muito grandes e brigar pelo título. Como eu disse, não basta pilotar um F-1. Preciso dos desafios e a melhor maneira de conseguir isto é estar num bom carro e brigar por títulos".Pergunto se sua juventude pode ser um handicap na briga pelo título contra pilotos com mais experiência na F-1. Ele discorda do meu argumento com elegância. "Jenson [Button] e Mark [Webber] também nunca brigaram pelo título na F-1, apenas Rubens. No final das contas, todos nós fizemos a mesma escola: passamos pelo kart e por categorias de base. Nelas, nós brigamos por títulos. Assim, não é uma experiência nova para mim. Claro que é a primeira vez que passo por isso na F-1 e, com 22, não sou um dos pilotos mais experientes. Mas sei onde quero chegar e é algo positivo para mim ter um carro e uma equipe que me colocam na posição de brigar pelo título. Não tenho medo disso", argumenta.
E também não tem medo de ser colocado em seu país como o sucessor natural do piloto mais bem sucedido de todos os tempos. Aliás, Vettel nem acha a comparação cabível. Mas entende quem a faz. "No ponto de vistas deles, existe uma pressão; no meu, não. Michael foi um piloto fantástico e é alemão, então para a imprensa do país, quem andar na frente e for alemão, será comparado a ele. Mas sei que não sou Michael, é impossível copiar um piloto. Acho que há muito que eu possa aprender com ele. Você sempre pode aprender com os grandes pilotos, como Fernando Alonso, por exemplo. Mas cada um tem encontrar o seu próprio caminho", aponta Vettel.
O caminho do alemão é daqueles cheios de atalhos: em sua segunda temporada completa na F-1, já está na briga pelo título. As coisas não estariam acontecendo rápido demais? Vettel responde cutucando o líder do campeonato Jenson Button. "Certamente prefiro assim a ficar dez anos na F-1 e finalmente conseguir lutar pelo campeonato. Estou muito feliz de estar nesta posição. Este é o meu sonho. Claro que é legal pilotar um carro de F-1, mas posso te dizer que é bem mais legal se você estiver andando na frente e lutando por vitórias".
A assessora de imprensa da equipe sinaliza que o tempo disponível acabou. Vettel sorri e agradece aos jornalistas, partindo em seguida para mais um compromisso. Que vai cumprir com a mesma naturalidade e eficiência de quem administra sua própria carreira num dos ambientes mais complexos e difíceis que existem no esporte mundial. Dentro das pistas ou fora delas, tudo parece mesmo muito fácil para ele.
Fonte: Tazio
*** Esse guri é simplesmente demais, adorooo ele.
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