No começo, poucos apostavam que as acusações eram mesmo verdadeiras. No entanto, com o passar dos dias, os fatos começaram a ser esclarecidos e um dos maiores escândalos da história da F-1 se esboçava de forma mais definida.
A seguir, confira a retrospectiva completa do “Caso Nelsinho”:
28 de setembro de 2009:GP de Cingapura. Na volta de número 17, Nelsinho Piquet bate sua Renault contra o muro, num ponto da pista onde a entrada do Safety seria imprescindível. Companheiro do brasileiro, Fernando Alonso, que havia parado antes do acidente, pulou da 15ª posição para a liderança da prova, faturando a primeira vitória da Renault na temporada.
26 de julho de 2009:Com a 12ª colocação no GP da Hungria, Nelsinho Piquet fez aquela que seria a sua última corrida pela Renault.
29 de julho de 2009:Com sua vaga na Renault ameaçada e sob intensas trocas de farpas com o então chefe da equipe, Flavio Briatore, Piquet dispara contra o italiano: “ele é meu empresário. Mas em seu papel de chefe de equipe ele não me respeita. Ele só pensa em dinheiro, em quanto dinheiro pode colocar no bolso em tudo o que se envolve. Ele é um homem sem amigos”.
30 de julho de 2009:Em entrevista à FIA, o jovem brasileiro tece uma declaração a respeito das acusações de manipulação de resultado no GP de Cingapura 2008.
3 de agosto de 2009:Nelsinho Piquet é demitido da Renault e declara: “recebi a notícia do time Renault F1, de sua intenção de não mais contar comigo na atual temporada da F-1. Obviamente, é com grande desapontamento que eu recebo tais notícias. Mas, ao mesmo tempo, sinto alívio pelo final do pior período da minha carreira e pela possibilidade que tenho agora de seguir adiante, colocando minha carreira nos trilhos e tentando recuperar a minha reputação de piloto rápido, vencedor. Sempre acreditei que tendo um empresário, estava sendo parte de um time e tendo um parceiro. Um empresário deve, supostamente, te encorajar, te apoiar e te dar oportunidades. No meu caso, foi o contrário. Flavio Briatore foi meu executor”.
17 de agosto de 2009:O piloto brasileiro participa de mais uma entrevista com a FIA, fornecendo declarações mais detalhadas acerca do GP de Cingapura 2008 e analisando a telemetria disponível.18 de agosto de 2009:A Renault anuncia o franco-suíço Romain Grosjean, então líder da GP2, como substituto de Nelsinho Piquet.
27-28 de agosto de 2009:A FIA convoca, desta vez, Fernando Alonso, Flavio Briatore e Pat Symonds, para esclarecimentos acerca do GP de Cingapura 2008.Alonso diz não saber nada a respeito do acidente proposital de Piquet.Symonds, por sua vez, confirma uma reunião pré-corrida entre ele, Piquet e Briatore, mas joga a autoria da polêmica ideia no colo do jovem piloto brasileiro. O ex-diretor de engenharia da Renault também se recusou a responder alguns questionamentos capitais, deixando no ar que a fraude, de fato, havia acontecido. Briatore também lembrou da reunião, negando, contudo, qualquer discussão acerca de um acidente proposital.
30 de agosto de 2009:Surgem na mídia as primeiras notícias a respeito da investigação dos resultados do GP de Cingapura 2008.2 de setembro de 2009:A FIA convoca uma reunião extraordinária do Conselho Mundial de Automobilismo: “representantes do time ING Renault F1 têm sido convocados a comparecer em reunião extraordinário da Conselho Mundial de Automobilismo da FIA, em Paris, na segunda-feira do dia 21 de setembro de 2009”.
10 de setembro de 2009:A declaração de Piquet à FIA vaza na imprensa.11 de setembro de 2009:Renault e Flavio Briatore anunciam medidas judiciais contra Nelsinho e seu pai, o tricampeão mundial Nelson Piquet. “O time ING Renault F1 e seu diretor administrativo, Flavio Briatore, declaram que têm iniciado procedimentos criminais contra Nelson Piquet Júnior e Nelson Pique Sênior, na França, por falsas acusações e tentativa de chantagem, para permitir que o Sr. Nelson Piquet Jr. pilotasse pelo restante da temporada 2009”.
11 de setembro de 2009:Piquet responde à ação legal da Renault: “A respeito da atual investigação da FIA, eu confirmo que tenho cooperado plena e honestamente com o órgão gestor do esporte. Pois estou dizendo a verdade e não tenho nada a temer, seja do time ING Renault, seja do Sr. Briatore. Enquanto estou completamente ciente do poder e influência daqueles que estão sendo investigados e os vastos recursos à sua disposição, não serei intimado novamente a tomar uma decisão da qual eu me arrependa”.
16 de setembro de 2009:A Renault anuncia a saída de Flavio Briatore e de Pat Symonds do time. Os franceses declararam, ainda, que não contestariam as acusações da FIA. “O time ING Renault não contestará as recentes acusações feitas pela FIA a respeito do Grande Prêmio de Cingapura 2008. [A Renault] também declara que seu diretor administrativo, Flavio Briatore, e seu diretor executivo de engenharia, Pat Symonds, deixaram o time”.
21 de setembro de 2009:Diante do Conselho Mundial de Automobilismo da FIA, a Renault recebe uma suspensão de dois anos da F-1, que, contudo, será aplicada, somente, se o time cometer outra infração de “gravidade semelhante”.Flavio Briatore é banido permanentemente do automobilismo, bem como pessoas e empresas que continuem vinculadas a ele, ao passo que Pat Symonds é suspenso de qualquer competição organizada pela FIA, num período de cinco anos.Imune por ter colaborado durante as investigações e publicamente arrependido pelo episódio, Nelsinho Piquet não terá de arcar com qualquer punição que, por ventura, viesse a ser aplicada pela FIA.
Fonte: F1 na web
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